sábado, 7 de novembro de 2009

Regras do Grupo







Num grito de ´or os olhos se abrem
num silêncio de cor, o sangue semeia
Pois tudo que suavemente pulsa, ao alcance foge
para bem longe das distâncias

Na fuga, a dor, os olhos fecham
o pão é o sêmen das manhãs
e por todas elas se entremeia
contando o indizível

Porque permitis que vejam
o que em mim não há?
Se todas as buscas são vãs

Guardarei em mim pulso mu(n)do
Não saberei jamais o fim
O que não há, buscalo-ei


Poema a duas mãos - 2000
(Hozoni & Parede)



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

diferencial , abastecimento e posse





...é... eu sei...

acha que eu não notei?
mas
o fato é: aprendi a me aceitar tanto
que terminei por me gostar muito

e hoje posso dizer que me amo
e amo tanto que quase me basto

e a ironia toda é esse quase
é a quase auto suficiencia que
quase me deixa louco

quase louco
e quase só



e minhas maiores riquezas são minhas memórias
pequenos lapsos de verdades e sonhos


é a única posse de que tenho orgulho

como exemplo,
digo que recentemente me abasteci de eternidades, num banco de praça


é possível?

com certeza.





quarta-feira, 4 de novembro de 2009

mais do que flores



Durante trinta dias-anos...
cerca disso
houveram flores, bancos e praças
quadros e sonhos
palavras, letras e nomes
família e abraços

uma suavidade e carinho sem precedentes

eu não concordo com a proibição de algo tão belo
e nunca entendi o fim

mas

por cerca de trinta dias-anos
eu segurei sua mão
dei boa noite
ouvi bom dia...

adormeci você
e você me amanheceu


durante trinta dias-anos
tivemos mais do que flores
e não nos desculpamos a ninguém por isso

éramos você e eu
e era possível



O capoeira

(Sebastião Salgado)

- Qué apanhá sordado?
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.

(Oswald de Andrade)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A criança que fui chora na estrada


A criança que fui chora na estrada.

Deixei-a ali quando vim ser quem sou;

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.


(F. Pessoa)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

e Neruda rasgou o verbo





Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos...
Frente a frente...
...Sempre...

A se olharem...
Pensar talvez: “Paralelos que se encontram no infinito...”

No entanto, sós, por enquanto.
Eternamente dois apenas. (Pablo Neruda)

domingo, 25 de outubro de 2009


...é sem palavras mesmo...
como uma saliva, de cheiro aconchegante
um abraço achado
e um por-dizer carregado e suave
uma brisa no rosto
e um leve calor...





sabe como? Não me entendo, não saberei explicar mais do que isso...
já cuidou de alguém à distância?

não?
mais ainda...: foi cuidado?

se não... não vivestes...
mas ainda há tempo